domingo, 7 de setembro de 2008

Enésima vez

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“Ao certo, ao certo, ninguém sabe quando. Talvez (…) desde sempre. Ou até antes, antes de serem, antes do tempo, antes de tudo. Talvez por uma qualquer fatídica ou benéfica conjunção astral. Era assim: ela e só ela, como a outra metade de si mesmo. E dentro dele, o sangue do avesso.”

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(in A Terceira Rosa, Manuel Alegre)

sábado, 6 de setembro de 2008

Cagagésimo de segundo

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(def.) tempo que decorre entre o aparecimento da luz verde do semáforo e o som da buzina do carro imediatamente atrás de nós.
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Todos os dias ando de carro.
Todos os dias páro em (muitos) semáforos.
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E o que é que eu às vezes faço quando o condutor do carro de trás, aguardando apenas um cagagésimo de segundo (ou nem isso!), me buzina?
Desligo o motor.
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“E porquê, Ti, porquê?” … basicamente, porque posso.
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Depois, é só levantar a mãozinha e, de forma atabalhoada, seguir o meu caminho calmamente.
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[o gozo... o gozo que isto me dá.]

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Do irritar profundamente...

... ou daquelas coisas que mexem com os nervos de uma pessoa, por muito que se racionalize:

Por que é que existem pessoas que têm a mania de assobiar todas as canções que adoram... e o fazem, mesmo dando TODAS... as notas... ao lado?!

Obrigada, senhores, por me fazerem ter estes pensamentos que me aliviam em dias difíceis.

Um dia...

. [tudo conspira para que assim seja]

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O mais insuportável

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“Já quase velho, tentando explicar-me o seu estado naquele dia interminável, (…) disse-me sem nenhum esforço: Era como estar acordado duas vezes. Essa frase fez-me pensar que o mais insuportável (…) deve ter sido a lucidez.”
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(in Crónica de uma morte anunciada, Gabriel García Márquez)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

É o último, prometo!

[sob pena de nunca mais ninguém cá voltar... e só porque já estava prometido]
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ART.135 – Dos suspiros

A causa dos suspiros é muito diferente da das lágrimas, embora, como estas, pressuponham a tristeza. Efectivamente, ao passo que se é levado a chorar quando os pulmões estão cheios de sangue, é-se levado a suspirar quando estão quase vazios e quando qualquer prenúncio de esperança ou de alegria abre o orifício da artéria venosa, que a tristeza tinha contraído: porque então o pouco sangue que resta nos pulmões, caindo de repente no lado esquerdo do coração por essa artéria venosa, impelido pelo desejo de alcançar essa alegria, desejo que agita ao mesmo tempo todos os músculos do diafragma e do peito, faz com que o ar seja impelido pela boca para os pulmões, onde vai ocupar o lugar deixado por esse sangue. E é isto que se chama suspirar.
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(in As Paixões da Alma, Descartes)
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Continuo maravilhada com estas descrições :)

Eternal sunshine of the spotless mind

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"- This is it (…) It's going to be gone soon.

- I know.

- What do we do?

- Enjoy it."

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[Às vezes, tenho medo.]

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Ainda as paixões da alma...

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ART.69 - Que há apenas seis paixões primitivas
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Mas o número das que são simples e primitivas não é muito grande. Porque, passando em revista todas as que enumerei, pode-se facilmente notar que há apenas seis, a saber: a admiração, o amor, o ódio, o desejo, a alegria e a tristeza: e que todas as outras são compostas de algumas dessas seis, ou então suas espécies. (...)
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ART.79 - As definições do amor e do ódio
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O amor é uma emoção da alma, causada pelos movimentos dos espíritos, que a incita a unir-se voluntariamente aos objectos que parecem ser-lhe úteis. E o ódio é uma emoção, causada pelos espíritos, que incita a alma a querer estar separada dos objectos que se lhe apresenta como nocivos.
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ART.84 - Que não há tantas espécies de ódio como de amor
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Além disso, ainda que o ódio seja directamente oposto ao amor, não se distinguem nele todavia tantas espécies, porque não se nota tanto a diferença entre os males de que se está separado voluntariamente como entre os bens a que se está unido.
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[in As paixões da alma, por Descartes em 1649]
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Descrever assim sentimentos... parece tão simples... :)

E eu não mando nada?

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No dia em que regressei ao trabalho depois das férias grandes (esta tem piada, por si só…) foi-me dito que andava alguém a ligar há já vários dias para mim (hello! Eu também tenho direito a férias, não?)
Na caixa de e-mail, no mesmo tom desesperado, essa pessoa (vim a saber depois) pedia-me para confirmar o meu nº de telefone pois necessitava de me contactar. Assim fiz.

Dois minutos depois toca o telefone:
"...blá blá blá, sôtora, coisa e tal, sôtora, não sei se está recordada de mim, sôtora, blá blá blá, sôtora, tenho andado a pensar, sôtora, blá blá blá, sôtora…" (Grrr...)

Moral da história: o fulano faz-me uma proposta completamente indecente (profissionalmente falando…). Quase ultrajante. Ora eu, para não o mandar logo ali para um sítio que eu cá sei, resolvo fazer uso do clássico “como deve compreender, é uma questão que terei de colocar à consideração superior pois, de certa forma, a decisão final ultrapassa-me…”, sabendo de antemão a opinião da dita consideração superior…(ou achando que sabia!)

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Guess what!?

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A consideração superior é de opinião que devo aceitar. O mesmo é dizer “diz-lhe que sim, e com bons modos!"

[obrigada, chefinho… és um queriduxo]

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Closer each day [ouch]

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. (Cannonball, Damien Rice)

there’s still a little bit of your taste in my mouth
there’s still a little bit of you laced with my doubt
it’s still a little hard to say what's going on
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there’s still a little bit of your ghost your witness
there’s still a little bit of your face i haven't kissed
you step a little closer each day
that I can´t say what´s going on
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stones taught me to fly
love, it taught me to lie
life, it taught me to die
so it's not hard to fall
when you float like a cannonball
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there’s still a little bit of your song in my ear
there’s still a little bit of your words i long to hear
you step a little closer to me

so close that I can´t see what´s going on
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(...)

. [mais uma em repeat mode]

Num mundo paralelo

podiam ter sido tanto...
(...)
Ela chora porque, apesar de tudo, a entristece saber que neste mundo não houve oportunidade para os dois, porque há coisas assim, timings que talvez tenham a sua oportunidade noutra vida.
Ele chora porque deu esta vida à oportunidade.

Diálogos (im)possíveis #5


(…)
- O que é que queres que te dê?
-
A que é que tenho direito?
- A que é que achas que tens direito?
- Podemos sempre achar q temos direito a muita coisa mas, na realidade, aquilo a que, de facto, temos direito, depende do que os outros nos querem dar... Decides tu?

- Humm... e se eu te quiser dar alguma coisa que tu não queres?
- E o que é tu me podes querer dar que eu não queira?
-
Suponho então que quererás tudo o que eu eventualmente te queira dar! É isso?
- Se o que me quiseres dar for aquilo que achas que eu quero que me dês, sim. Parece-te suficiente?

- E o que é que tu queres que eu te dê?
- Já não tínhamos passado por essa pergunta?!


[Ipsis litteris. Conversa de surdos, portanto...]

Esta noite...

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...dormi às prestações.
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Como é possível ter perdido o sono por causa de uma frase, aparentemente, tão insignificante?
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[estou mesmo a ficar velha... tss tss]

De manhã, ao espelho...

Passei (ou alguém passou por mim) 20 e muitos anos da minha vida a (tentar) pentear-me.
E agora? quantos passarei a fazer exactamente o contrário...?

domingo, 31 de agosto de 2008